domingo, 29 de março de 2009

|02| - A era da Favela

Ranking populacional das megacidades


“Vivemos na era da cidade. A cidade é tudo para nós – ela nos consome, e por esta razão a glorificamos.”

Onookome Okome

Pela primeira vez a população urbana da Terra superou a população rural e temos um índice de crescimento populacional praticamente exponencial. No início do século XX, apenas 10% da população vivia em cidades. Hoje, a explosão das Megacidades cria gigantes manchas de conurbação que absorvem quase dois terços da explosão populacional global.

Pela definição, as megalópoles têm mais de 10 milhões de habitantes em seus limites geográficos formais. Segundo as projeções da ONU, em 2025 o porcentual de população urbana será de 61% e espera-se que atinja 10 bilhões de habitantes em 2050.

“Em 1950, somente Nova York e Londres tinham mais de 8 milhões de habitantes. Atualmente, há mais de 22 megalópoles. Das 33 megealópoles previstas para 2015, 27 estariam localizados nos países em desenvolvidos, 19 na Ásia. Tókio será a única cidade rica que figurará na lista das 10 cidades mais grandes.”

Céline Rozenblat, Mutations

Crescimento populacional x Recursos
fonte: office MVRDV

O resultado dessa explosão é claramente visto nas cidades. Em Mumbai, mais da metade da população vive em favelas e em torno de 800.000 habitantes dormem na rua. Em 1970, 1 em cada 100 paulistanos vivia em favelas; em 2005 era 1 em cada 5 moradores da cidade. Ambas as cidades sofrem com os problemas de transporte, oferta de água e energia, violência, poluição, saneamento, desemprego, saúde e educação.

E desde 1970, o crescimento das favelas em todo o hemisfério sul ultrapassou a urbanização. No sul da Ásia, um estudo do final da década de 1980 mostrou que até 90% do crescimento das famílias urbanas ocorreu nas favelas.

As favelas indianas continuam a crescer 250% mais depressa do que a população em geral. O déficit habitacional anual estimado de Mumbai em 45 mil unidades no setor formal traduz-se em um aumento correspondente de moradias informais nas favelas, acompanhado pelo trabalho informal de subsistência que sempre foi responsável por grande porção do total de empregos.

“Se essa tendência continuar sem se abater, só teremos favelas sem cidades”


Gautam Chatterjee

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