“O surgimento das favelas, tal como são conhecidas hoje, está relacionado a dois focos de tensão existente no Rio de Janeiro no final do século XIX: a crise habitacional, que se agravara com a demolição dos cortiços e a chegada constante de imigrantes; e as crises políticas advindas com a Proclamação da República, mais especificamente a Revolta da Armada (1893-1894) e a Guerra de Canudos (1896-1897).Desde a Revolta da Armada, o Governo vinha enfrentando problemas com o alojamento dos soldados no Rio de Janeiro. Visando resolver essa questão, foi permitido que os militares se instalassem no convento de Santo Antônio (localizado no morro de mesmo nome). Porém, como as acomodações não eram suficientes, foi autorizada a construção de barracões de madeira numa das encostas do morro. Anos mais tarde, a Prefeitura ainda não havia resolvido essa irregularidade, que parecia ter aumentado em número, de acordo com registros oficiais: 'galpões de madeira (...) construídos por ocasião da Revolta, por ordem do Governo e outros por conta própria''"
Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, Códice 46-3-55. Apud ABREU (1994:36)
Por ironia do destino, os militares das tropas federais, que derrotaram Antônio Conselheiro na Guerra de Canudos na Bahia ao desembarcarem no Rio de Janeiro, estavam sem pagamento e alojamento e acabaram por ocupar o morro localizado nas proximidades do quartel general do Exército, passando a chamá-lo de Morro da Favella.
Talvez inspirados pela eponímia de Euclides da Cunha, o morro da Favella, que outrora havia servido de local de resistência durante a Guerra contra Conselheiro, torna-se agora local de sobrevivência.
“Ainda que não haja registros de uma autorização oficial dessa ocupação, é consenso entre estudiosos e pesquisadores que foram esses militares que deram origem à favela no Rio de Janeiro.”
(ESPINOZA, 1997; VALLADARES, 2000:7; VALLADARES, 2005:26)
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1 comentários:
Grande crubber!
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