Nas recentes décadas origina-se um novo fenômeno mundial: a Globalização do Mercado. Orquestrada mundialmente pela doutrina neoliberal com uma forte articulação de livre mercado e ajustes estruturais, em detrimento das seguranças sociais e intervenções públicas.
Este fenômeno surge com a Revolução Tecno-Científica, que implementa um processo produtivo de escala mundial. Com a implantação da robótica, a jornada de trabalho diminui, ampliam-se os serviços e atividades relacionadas a planejamento e design de produto e integra-se o planeta num processo instantâneo de comunicação. No entanto, a política-estratégica neoliberal condiciona a ciência e a tecnologia ao processo produtivo de grandes corporações, que influencia culturalmente em hábitos e costumes de alto consumo.
O domínio do capital financeiro sobre o conjunto das atividades produtivas redesenhou a estratégia do sistema global. O regime individualista, competitivo e protecionista neo-liberal sobrepõe qualquer circunstância, aumentando dramaticamente as desigualdades e a exclusão social no cenário mundial.
Na década de 80, os países em desenvolvimento talvez tenham sofrido seu maior golpe do neoliberalismo, o Programa de Ajuste Estrutural (PAEs) desenvolvido pelo FMI e pelo Banco Mundial, promovido pelos governos Reagan, Thatcher e Kohl.
Os PAEs são condicões econômicas, financeiras, políticas e ideológicas exigidas pelas agências financeiras multilaterais, que incluem não apenas a liberalização do comércio e da indústria, mas também a desregulamentação e a privatização da propriedade estatal, de indústrias e serviços. Tais condições impedem os governos de investir em serviços básicos, como saúde, saneamento e educação.
O FMI e o BM colocavam o “programa de ajustes” sob a estratégia de redução de dívidas para assegurar que os países devedores alcançassem um “desenvolvimento sustentável” com uma balança de pagamentos confiável, estabelecendo relações normais com os credores, assim como o acesso regular aos mercados financeiros internacionais.
“O plano Baker de 1985, exigiu sem rodeios que os quinze maiores devedores do terceiro Mundo abandonassem as estretégias de desenvolvimento conduzidas pelo Estado em troca de novas possibilidades para empréstimos e de continuar participando da economia mundial...um país pobre como Uganda gasta per capita 12x mais com o pagamento da dívida todo o ano do que com assistência médica em meio à crise do HIV e da AIDS.”
“a principal causa do aumento da pobreza e da desigualdade nas décadas de 1980 e 1990 foi a retirada do Estado...O ponto de vista internacional dominante (ou seja, a de Washington) torna-se de fato o paradigma do desenvolvimento, de modo a unificar rapidamente o mundo todo no sentido geral daquilo que os financiadores e as organizações internacionais apoiam.”
UN-Habitat, Challenge of Slum
Trata-se de um neocolonialismo, que provavelmente é mais rentável do que o original, uma vez que os países desenvolvidos já não têm de fazer investimentos para o desenvolvimento local. Os países em desenvolvimento entram em colapso, agravando-se seus problemas de desigualdade.
A cidade cada vez mais recebe a migração rural devido ao novo sistema de produtividade agrícola. Resumidos a fornecedores de matérias-primas e mercadorias para o mundo e com cortes drásticos em serviços públicos urbanos, suas cidades tornam-se uma lixeira para um excedente da população desqualificada, desprotegida e mal remunerada nos setores dos serviços e do comércio informal. É deflagrada a favelização no Mundo.
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Este fenômeno surge com a Revolução Tecno-Científica, que implementa um processo produtivo de escala mundial. Com a implantação da robótica, a jornada de trabalho diminui, ampliam-se os serviços e atividades relacionadas a planejamento e design de produto e integra-se o planeta num processo instantâneo de comunicação. No entanto, a política-estratégica neoliberal condiciona a ciência e a tecnologia ao processo produtivo de grandes corporações, que influencia culturalmente em hábitos e costumes de alto consumo.
O domínio do capital financeiro sobre o conjunto das atividades produtivas redesenhou a estratégia do sistema global. O regime individualista, competitivo e protecionista neo-liberal sobrepõe qualquer circunstância, aumentando dramaticamente as desigualdades e a exclusão social no cenário mundial.
Na década de 80, os países em desenvolvimento talvez tenham sofrido seu maior golpe do neoliberalismo, o Programa de Ajuste Estrutural (PAEs) desenvolvido pelo FMI e pelo Banco Mundial, promovido pelos governos Reagan, Thatcher e Kohl.
Os PAEs são condicões econômicas, financeiras, políticas e ideológicas exigidas pelas agências financeiras multilaterais, que incluem não apenas a liberalização do comércio e da indústria, mas também a desregulamentação e a privatização da propriedade estatal, de indústrias e serviços. Tais condições impedem os governos de investir em serviços básicos, como saúde, saneamento e educação.
O FMI e o BM colocavam o “programa de ajustes” sob a estratégia de redução de dívidas para assegurar que os países devedores alcançassem um “desenvolvimento sustentável” com uma balança de pagamentos confiável, estabelecendo relações normais com os credores, assim como o acesso regular aos mercados financeiros internacionais.
“O plano Baker de 1985, exigiu sem rodeios que os quinze maiores devedores do terceiro Mundo abandonassem as estretégias de desenvolvimento conduzidas pelo Estado em troca de novas possibilidades para empréstimos e de continuar participando da economia mundial...um país pobre como Uganda gasta per capita 12x mais com o pagamento da dívida todo o ano do que com assistência médica em meio à crise do HIV e da AIDS.”
Mallaby, The World’s Banker
“a principal causa do aumento da pobreza e da desigualdade nas décadas de 1980 e 1990 foi a retirada do Estado...O ponto de vista internacional dominante (ou seja, a de Washington) torna-se de fato o paradigma do desenvolvimento, de modo a unificar rapidamente o mundo todo no sentido geral daquilo que os financiadores e as organizações internacionais apoiam.”
UN-Habitat, Challenge of Slum
A cidade cada vez mais recebe a migração rural devido ao novo sistema de produtividade agrícola. Resumidos a fornecedores de matérias-primas e mercadorias para o mundo e com cortes drásticos em serviços públicos urbanos, suas cidades tornam-se uma lixeira para um excedente da população desqualificada, desprotegida e mal remunerada nos setores dos serviços e do comércio informal. É deflagrada a favelização no Mundo.
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