sexta-feira, 24 de abril de 2009

|03| - Dos anos 50 aos 70 - "Cinquenta anos em cinco"


Durante os anos 50, Juscelino Kubitschek lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento que tinha o célebre lema "Cinquenta anos em cinco". O plano permitiu a abertura da economia brasileira para o capital estrangeiro e visava estimular a diversificação e o crescimento da economia, baseados na expansão industrial.

Neste contexto de desenvolvimento e com o impulso das multinacionais, o país, em um pouco mais de uma década, chegou à condição de oitava economia do mundo, período posteriormente chamado de “milagre econômico”. No entanto, as tecnologias trazidas pelas indústrias eram praticamente obsoletas em seu país de origem, além de serem baseadas na mão-de-obra barata ou sub-assalariada.

É o que se conhece como “Industrialização com baixos salários”, criando um mercado interno quase que residual. O grande foco das indústrias multinacionais era a exportação e a exploração da mão-de-obra. É neste contexto que a migração rural se agrava estrondosamente, influenciada também pela concentração fundiária que exterminava os pequenos agricultores.

“Em 1940 a população urbana no Brasil era apenas 26,34% do total, em 1980 ela já era de 68,86% para chegar em 81,20% no ano 2000”.

Horácio Lafer

"Sem acesso às formas tradicionais de provisão de moradia, a população trabalhadora criava favelas ou buscava os loteamentos de periferia, em assentamentos onde devia confeccionar um alojamento precário num contexto em que inexistia qualquer equipamento ou infra-estrutura urbana.”

Nabil Bonduki

Ao mesmo tempo, esse período é marcado por uma grave crise habitacional em todas as grandes cidades brasileiras, decorrente de uma situação sócio-econômica peculiar. Durante as obras para a retificação dos rios Pinheiros e Tietê e a abertura das avenidas marginais, nos anos 60. Terrenos públicos e privados foram criados com a drenagem dos meandros dos rios e tornaram-se área tanto para ocupações de favelas, quanto para a criação de abrigos de emergência, que se tornaram favelas, conforme nos descreve a própria Prefeitura:

"Com a retificação do Rio Tietê, várias faixas inaproveitadas estão sendo ocupadas, bem como outros próprios municipais e não poucos terrenos particulares."... "Em 1957 calculava-se 50000 o número de favelados. Já agora poder-se-ia estimar em mais de 70000.”
SÃO PAULO(CIDADE), 1962

Entre as décadas de 1940 e 1970, a população de São Paulo teve acesso à moradia graças à oferta de lotes populares por um mercado imobiliário informal formado, principalmente pelo parcelamento ilegal de glebas na periferia. Nesse período, as favelas não eram vistas ainda como o grave problema social como conhecemos hoje. Isso só foi acontecer a partir da década de 1970, quando o lote urbano ficou cada vez mais inacessível, graças ao forte fluxo migratório, ao preço da terra, à crise econômica e, sobretudo, às restrições impostas pelas legislações urbanísticas.

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