quarta-feira, 8 de abril de 2009

|02| - 1950 - A Diáspora urbana

População mundial

Somos hoje 6,77 bilhões de pessoas, com 75% da população vivendo em países em desenvolvimento. O sucesso da Medicina foi um dos principais motivos do crescimento populacional. Contudo, não podemos apontar unicamente o acentuado crescimento populacional como causador dos males do planeta, mas também as seguidas inoperâncias governamentais e ações ambiciosas de entidades multinacionais regidos por um capitalismo maquiavélico incapaz de lidar com este fenômeno inédito na história da humanidade.

Em 1950, éramos 2,5 bilhões de pessoas. Até então, as forças econômicas e políticas herdadas pelo colonialismo europeu controlaram e barraram o movimento rural-urbano. O crescimento populacional nas cidades se deu de maneira lenta e em alguns casos houve retardo.

Em 1923, os britânicos criaram na África do Sul o “law pass”, que controlova a migração urbana da população negra. Esse sistema foi levado posteriormente ao extremo com o apartheid, que não apenas criminalizou a migração urbana como promoveu violentamente o desraizamento das comunidades negras dos bairros pobres do centro da cidade.

Na Índia, os britânicos segregavam e policiavam o fluxo vindo do campo. O Town Improvement Trusts (Fundos de Melhoramento Urbano) foram eficazes em se livrar das favelas e em remover os chamados plague spots (pontos de contágio) dos interstícios das melhores regiões residenciais e comerciais, preservando o zoneamento espacial em torno de áreas de classe média colonial e nativa.

Com a economia agro-exportadora na passagem do século XIX para o XX, o Rio de Janeiro e, especialmente São Paulo, passaram a ter o controle da comercialização dos produtos produzidos no campo. Na lógica das elites advinda dos latifúndios, a cidade tinha que ter uma aparência compatível com as grandes cidades européias. Dessa forma, as reformas urbanas foram praticamente gentrificantes para criar uma cidade para “inglês” ver.



Após os anos 50, o rompimento desse inevitável movimento rural-urbano ocorreu por uma série de fatores políticos e sócio-econômicos: instabilidade, guerra-civil, repressão,e o “Green Revolution” com modernas tecnologias na agricultura e entre outros.

Na Índia, as cidades de Délhi, Calcutá, Karachi, Lahore (Paquistão) e Daca foram todas forçadas a absorver imensas levas de refugiados nos períodos violentos posteriores à Partilha (1948), à Guerra Indo-Paquistanesa (1964) e à secessão de Bangladesh (1971).

Nos anos 50, Jucelino Kubitschek promove a abertura ao capital internacional mudando o paradigma econômico. A indústria brasileira trabalhava com as multinacionais que chegavam, garantindo o “milagre econômico”, o sistema estava condicionado com a alta concentração de renda manutenciado pela mão-de-obra de baixo custo. É a industrialização com baixos salários.

“Hoje, em vez do estereótipo clássico do uso intensivo de mão-de-obra no campo e uso intensivo do capital na metrópole industrial. Os países em desenvolvimento tem muitos exemplos de campo com uso intensivo de capital e cidades desindustrializadas com uso intensivo de mão-de-obra. A “superurbanização”, em outras palavras, é impulsionada pela reprodução da pobreza, não pela oferta de empregos. Essa é apenas uma das várias descidas inesperadas para as quais a ordem mundial neoliberal vem direcionando o futuro”
Mike Davis

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