quarta-feira, 22 de abril de 2009

|03| - Primeira metade do século XX - Higienization

1. Vista da margem oeste do vale no final da década de 1910
2. Vista da margem oeste do vale no final da década de 1920

O processo de industrialização iniciado no final do século XIX, bem como a libertação dos escravos (1888), a crescente imigração e a Proclamação da República (1989), causaram rápida expansão dos centros urbanos brasileiros e a cada dia as cidades recebiam um contingente maior de trabalhadores que não tinham onde morar.

Na época, a cidade sofria constantemente com epidemias (cólera, peste, varíola e febre amarela) e o cortiço era considerado pelas autoridades “higienicamente perigoso” e seus “moradores deveriam ser removidos para os arredores da cidade”. Já era consenso que, para resolver esses problemas, eram necessárias intervenções no meio ambiente, tanto natural quanto físico: drenar pântanos, arrasar morros, modernizar o porto, alargar ruas e construir casas higiênicas.

Assim a população pobre foi sistematicamente expulsa dos cortiços e morros, deslocando-se para locais distantes e menos valorizados, enquanto maciços investimentos públicos eram direcionados para locais de interesse da classe dominante e do mercado imobiliário. Foram os casos da construção do Viaduto do Chá, da abertura da Avenida Paulista e da implantação de infra-estrutura básica no bairro de Higienópolis.

“higienizar e modernizar a cidade significavam sobretudo, eliminar os lugares infectos e sórdidos, o desmazelo, a imundície e as residências coletivas em que habitava a maioria da população”
Paulo Cezar de Barros

3. Viaduto do Chá na última década do século XIX
4. Viaduto do Chá já com o projeto paisagístico de Bouvard (1912) implantado no vale.

Na década de 1930, a era Vargas trouxe novas perspectivas ao Brasil, com o Estado assumindo uma organização corporativa e trazendo para si os interesses divergentes entre os diferentes grupos sociais emergentes, as reivindicações populares e a construção de um Estado forte.

A política social de Getúlio Vargas, baseada fortemente na criação de uma nova legislação trabalhista e sindical, foi um dos principais marcos desse processo. Porém, ela pouco influenciou as condições de moradia do operariado, uma vez que a ação governamental em relação à questão habitacional continuou, inicialmente, caracterizada pelo apoio a políticas de incentivo à produção privada de habitações de aluguel, e no caso específico das favelas, pelo combate e a erradicação.

“O Estado mantém uma postura ambígua entre os interesses da burguesia agrária e os da burguesia industrial. ... A essência do populismo consistirá em reconhecer a questão social, mas dando a ela um tratamento paternalista e simbólico, que nega a auto-organização dos trabalhadores. A oposição e as lideranças operárias são esmagadas, mas a massa trabalhadora seria submetida a intensa propaganda do governo e das “benesses” que este lhe concede: instituição da Previdência, promulgação da CLT, fixação do salário mínimo”

Ermínia Maricato


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