Evolução da mancha urbana de São Paulo
Fonte: Cesad FAU-USP
"São Paulo foi designada como “região metropolitana” pelo Governo Federal na década de 1970 de acordo com o Programa de Ação Metropolitana. A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) não apenas acomoda a maior população urbana do país como também tem a mais alta densidade residencial, com 2.420 pessoas por km2. A cidade está no centro de uma hinterlândia regional com raio de 200 km, que abrange a RMSP (mais de 19 milhões de habitantes) e se estende para o sul até a Região Metropolitana da Baixada Santista (1,7 um milhão de habitantes), para o norte até a Região Metropolitana de Campinas (2,7 milhões de habitantes) e inclui a cidade de Sorocaba e cidades do Vale do Paraíba.Fonte: Cesad FAU-USP
A Região Metropolitana estendida cobre menos de 6% da área do Estado de São Paulo e tem uma população total de 24 milhões de habitantes, que corresponde a 59% da população do estado. Gera 63% do PIB do estado e quase 20% do PIB nacional. A RMSP cobre uma área de 7.944 km2 e abrange 39 municípios, com a Cidade de São Paulo (1.525 km2) localizada em seu centro. Na região, 95,7% da população é urbana, com 10,9 milhões de pessoas concentradas no município de São Paulo, sendo que somente oito dos 39 municípios não estão integrados à área construída contínua.
Entre 1990 e 2002 a área construída da RMSP aumentou de 1.765 km2 para 2.208 km2, principalmente devido ao crescimento de ocupações ilegais, quase sempre em áreas protegidas de mananciais ao redor das bacias periféricas de água da cidade, onde pouco ou nenhum investimento tem sido feito pelos setores público ou privado. O conflito entre forças sociais e ambientalistas está no centro de um crescimento informal nessas áreas vulneráveis, que colocam os recursos naturais e os novos residentes em risco.
A última década também testemunhou a construção de shopping centers, supermercados, hipermercados e restaurantes de fast-food nas áreas mais distantes da cidade e do estado. Ao mesmo tempo, aproximadamente 900 mil habitantes da RMSP moram em complexos de habitações públicas, denominados áreas de “interesse social”. Desde a década de 1970, os governos estadual e municipal construíram aproximadamente 210 mil moradias que se enquadram nesta categoria, mas a capacidade limitada do governo de construir habitações para famílias de baixa renda e a disponibilidade limitada de financiamento significa que o déficit entre oferta e demanda cresceu. Em 2000 era de 529 mil moradias, mas até 2005 o déficit aumentou para 783.300 moradias, afetando cerca de 86% das famílias mais pobres da área.
Está claro que aspectos específicos da organização atual da cidade precisam ser discutidos, já que a escala metropolitana foi até aqui considerada apenas em relação à superfície. Nada foi acrescentado quanto ao modo como o novo organismo é entendido, nem tampouco qualquer avaliação foi feita quanto aos impactos de mobilidade dos recentes projetos de peso. Entre outros fenômenos complexos, o funcionamento exato das engrenagens metropolitanas deve também levar em conta que as formas convencionais de atividades industriais foram substituídas por novos tipos de arranjos de trabalho. As atribuições das áreas metropolitanas neste novo estágio das economias brasileira e internacional estão se expandindo, em grande parte devido à presença de organizações que estão mais bem equipadas para realizar novos serviços e diferentes funções industriais. O resultado é um fenômeno característico importante no qual os serviços se tornaram mais importantes do que a indústria."
Regina Meyer é membro da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) e atualmente coordena o Laboratório de Urbanismo da Metrópole (LUME).
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