domingo, 29 de março de 2009

|02| - Mega-favelas

“As ‘mega-favelas’ surgem quando bairros pobres e comunidades invasoras fundem-se em cinturões contínuos de moradias informais e pobreza, em geral na periferia urbana. A Cidade do México, por exemplo, tinha em 1992, estimados 6,6 milhões de pessoas vivendo aglomeradas em 348 quilômetros quadrados de moradias informais. No sul da Ásia, pelo contrário, os pobres urbanos tendem a viver em um número muito maior de favelas distintas, dispersas com mais amplitude por todo o tecido urbano, com padrões fractais de complexidade.”

Mike Davis, Planeta Favela

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|02| - A era da Favela

Ranking populacional das megacidades


“Vivemos na era da cidade. A cidade é tudo para nós – ela nos consome, e por esta razão a glorificamos.”

Onookome Okome

Pela primeira vez a população urbana da Terra superou a população rural e temos um índice de crescimento populacional praticamente exponencial. No início do século XX, apenas 10% da população vivia em cidades. Hoje, a explosão das Megacidades cria gigantes manchas de conurbação que absorvem quase dois terços da explosão populacional global.

Pela definição, as megalópoles têm mais de 10 milhões de habitantes em seus limites geográficos formais. Segundo as projeções da ONU, em 2025 o porcentual de população urbana será de 61% e espera-se que atinja 10 bilhões de habitantes em 2050.

“Em 1950, somente Nova York e Londres tinham mais de 8 milhões de habitantes. Atualmente, há mais de 22 megalópoles. Das 33 megealópoles previstas para 2015, 27 estariam localizados nos países em desenvolvidos, 19 na Ásia. Tókio será a única cidade rica que figurará na lista das 10 cidades mais grandes.”

Céline Rozenblat, Mutations

Crescimento populacional x Recursos
fonte: office MVRDV

O resultado dessa explosão é claramente visto nas cidades. Em Mumbai, mais da metade da população vive em favelas e em torno de 800.000 habitantes dormem na rua. Em 1970, 1 em cada 100 paulistanos vivia em favelas; em 2005 era 1 em cada 5 moradores da cidade. Ambas as cidades sofrem com os problemas de transporte, oferta de água e energia, violência, poluição, saneamento, desemprego, saúde e educação.

E desde 1970, o crescimento das favelas em todo o hemisfério sul ultrapassou a urbanização. No sul da Ásia, um estudo do final da década de 1980 mostrou que até 90% do crescimento das famílias urbanas ocorreu nas favelas.

As favelas indianas continuam a crescer 250% mais depressa do que a população em geral. O déficit habitacional anual estimado de Mumbai em 45 mil unidades no setor formal traduz-se em um aumento correspondente de moradias informais nas favelas, acompanhado pelo trabalho informal de subsistência que sempre foi responsável por grande porção do total de empregos.

“Se essa tendência continuar sem se abater, só teremos favelas sem cidades”


Gautam Chatterjee

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quinta-feira, 26 de março de 2009

domingo, 22 de março de 2009

|02| - População Urbana em Favelas

% população urbana vivendo em favelas por país e números absolutos de pessoas vivendo em favelas por regiões (UN-Habitat 2003)


Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), quase 1 bilhão de pessoas (924 milhões) ou 32 % da população urbana vivem em favelas e em 2020 serão 1,4 bilhão de favelados.

A maior parte deste número está concentrada em países em desenvolvimento. Em média, 43% da população urbana dos países em desenvolvimento estão em favelas, contra 6% nos países desenvolvidos.

Com respeito aos números absolutos de favelas, a Ásia (com todas as suas regiões combinadas) tem o índice mais alarmante. Um total de 554 milhões de pessoas vivia em favelas em 2001, o que significa 60% da população mundial de favelados. A África tem um total de 187 milhões de pessoas vivendo em favelas (14% do total dos favelados no Mundo), enquanto que a europa e os outros países desenvolvidos tem 54 milhões de favelados (6% do total).

Atualmente, 52.3 milhões de pessoas já vivem em favelas no Brasil (28% da população do país). Na Índia são 160 milhões em Mumbai (a capital financeira do país), o que representa 55 % da população vivendo em favelas. (UN HABITAT, 2006).

É quase certo que o número de favelados cresceu substancialmente durante os anos 90. E se seguirmos a projeção, nos próximos 30 anos o número global de favelados aumentará para os 2 bilhões, se não houver ações firmes e concretas.

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segunda-feira, 16 de março de 2009

|01| - Identificando uma Favela

Imagens na mesma escala

Dharavi, em Mumbai - Índia _ A maior favela da Ásia e um dos maiores aglomerados humanos

Heliópolis, em São Paulo – Brasil _ A maior favela de São Paulo

Quando é necessário identicar uma favela, com um conceito já estabelecido, podem ocorrer certas imprecisões e confusões, justamente pela falta de acordo nos conceitos.

Seria equivocado e problemático criar e aplicar um conceito universal para favela. Ainda que algumas características de favelas, tal como acesso aos serviços básicos e densidades, possam ser claramente definidos, outras não são, como capital social.

Favela é um conceito relativo e muito dinâmico. As variações cultural, sócio-econômica e temporal de cada região e povo são muito amplas para definir universalmente critérios aplicáveis.

Em resumo, as definições usadas pelos Governos Nacionais e Instituições revelam os seguintes atributos de uma favela:

Ausência de serviços básicos

Falta de serviços básicos e água potável é uma das mais frequentes características nas definições de favelas no Mundo. Em seguida estão a coleta de lixo, energia elétrica, pavimentação, iluminação das vias e sistema de drenagem de chuva.

Baixo Padrão de moradias

Áreas de favelas são associadas com grande índice dos baixos padrões de moradias, que geralmente são construídos com materiais frágeis às intempéries.

Alta densidade

Alta densidade é associada com altas taxas de ocupação e uma moradia habitada por diferentes famílias. Muitas moradias em favelas são lotadas, com 5 ou mais pessoas compartilhando um único ambiente para cozinhar, dormir e viver.

Insalubridades

Insalubridade é o resultado da falta de serviços básicos como esgotos abertos, falta de arruamento, poluição, etc.

Ocupação irregular ou informal

Ocupação irregular ou informal é uma das principais características de uma favela.

Pobreza e Exclusão Social

A renda per capita não é vista como uma característica inerente a favelas, mas sim como uma causa e, em grande medida, uma consequência das condições da favela.

Além disso, favelas são áreas predispostas à exclusão social, a altos níveis de criminalidade e de outras medidas de exclusão social. Em algumas definições, tais áreas estão associadas a determinados grupos vulneráveis da população, tais como os imigrantes, pessoas internamente excluídas ou de minorias étnicas.

Tamanho mínimo da ocupação

Algumas instituições definem um tamanho mínimo de ocupação para identificar uma favela. Calcutá exige um mínimo de 700 metros quadrados ocupados por barracos. No censo indiano, exige-se pelo menos 300 pessoas ou 60 famílias vivendo num núcleo de assentamento.

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sábado, 14 de março de 2009

|01| - Uma eponímia irônica

“O surgimento das favelas, tal como são conhecidas hoje, está relacionado a dois focos de tensão existente no Rio de Janeiro no final do século XIX: a crise habitacional, que se agravara com a demolição dos cortiços e a chegada constante de imigrantes; e as crises políticas advindas com a Proclamação da República, mais especificamente a Revolta da Armada (1893-1894) e a Guerra de Canudos (1896-1897).

Desde a Revolta da Armada, o Governo vinha enfrentando problemas com o alojamento dos soldados no Rio de Janeiro. Visando resolver essa questão, foi permitido que os militares se instalassem no convento de Santo Antônio (localizado no morro de mesmo nome). Porém, como as acomodações não eram suficientes, foi autorizada a construção de barracões de madeira numa das encostas do morro. Anos mais tarde, a Prefeitura ainda não havia resolvido essa irregularidade, que parecia ter aumentado em número, de acordo com registros oficiais: 'galpões de madeira (...) construídos por ocasião da Revolta, por ordem do Governo e outros por conta própria''"

Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, Códice 46-3-55. Apud ABREU (1994:36)

Por ironia do destino, os militares das tropas federais, que derrotaram Antônio Conselheiro na Guerra de Canudos na Bahia ao desembarcarem no Rio de Janeiro, estavam sem pagamento e alojamento e acabaram por ocupar o morro localizado nas proximidades do quartel general do Exército, passando a chamá-lo de Morro da Favella.


Talvez inspirados pela eponímia de Euclides da Cunha, o morro da Favella, que outrora havia servido de local de resistência durante a Guerra contra Conselheiro, torna-se agora local de sobrevivência.

“Ainda que não haja registros de uma autorização oficial dessa ocupação, é consenso entre estudiosos e pesquisadores que foram esses militares que deram origem à favela no Rio de Janeiro.”

(ESPINOZA, 1997; VALLADARES, 2000:7; VALLADARES, 2005:26)
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|01| - EPÔNIMO favela


“Todas traçam, afinal, elíptica curva, fechada ao sul por um morro, o da Favela, em torno de larga planura ondeante onde se erigia o arraial de Canudos – e daí, para o norte, de novo se dispersam e decaem até acabarem em chapadas altas à borda do S. Francisco”

Os Sertões, Euclides da Cunha

Euclides da Cunha foi o primeiro escritor brasileiro a empregar a palavra FAVELA, mas com a intenção de identificar geograficamente o morro que circundava Canudos.

Sabe-se que no Morro da Favela, ao Sul de Canudos, havia a planta euforbiácea conhecida como favela que, segundo o próprio Euclides da Cunha, significava leguminosa. A planta identifica e nomeia o morro. Ocorre uma eponímia.

“As favelas, anônimas ainda na ciência – ignoradas dos sábios, conhecidas demais dos tabaréus – talvez um futuro gênero cauterium das leguminosas, têm, nas folhas de células alongadas em vilosidades, notáveis aprestos de condensação, absorção e defesa.”


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|01| - definindo 'Favela'


Primeiramente, o termo “Slum” foi usado globalmente para designar lugares insalubres e desumanos. Agora, o termo “favela” praticamente se sobrepõe a ele, trazendo novas definições e conceitos.

“Favela” é usado num contexto genérico para descrever inadequadas condições de vida e moradia, alta densidade humana, ausência de infra-estrutura básica e miséria. Contudo, a generalidade do termo não singulariza e nem esconde a multiplicidade de diferentes localidades e comunidades.

A seguir algumas definições de “favelas”

Bueno, Denaldi

Tecnicamente, as favelas são assentamentos humanos urbanos em áreas privadas ou públicas, ocupadas por não-proprietários dessas áreas, que edificam suas moradias à margem das leis urbanísticas e construtivas. As favelas se caracterizam, portanto, pela dupla ilegalidade de sua situação: tanto fundiária (no que diz respeito á ilegalidade da posse da terra), quanto urbanística (no que diz respeito a ilegalidade das construções).

As favelas são aglomerações urbanas muito diversificadas, podendo variar em tamanho, densidade, qualidade construtiva, grau de ilegalidade, situação de risco, etc., o que dificulta a ação pública, que deve ser pensada para cada uma dessas situações, que demandam soluções diversas. Há favelas já bastante consolidadas, há décadas no mesmo lugar, que se integram aos bairros circundantes, para as quais as ações de regularização fundiária e urbanização poderiam ser simples e bastante eficazes. Há favelas muito densas em vazios urbanos antigos, que se consolidam em razão da sua proximidade com a cidade e as oportunidades de emprego. Às vezes a densidade é tão alta que a única solução possível, para atender a todos seus moradores, é sua substituição por edifícios habitacionais, no mesmo lugar. Mas há também uma enorme quantidade, nas regiões metropolitanas brasileiras, de favelas sobre palafitas, nas beiras de rios e córregos, sujeitas a enchentes. Há favelas em encostas íngremes, sob risco de desmoronamento; embaixo de pontes, sujeitas a incêndios. As situações são tão diferentes quanto são diversos, nas cidades, os terrenos vazios passíveis de ocupação. Todas, porém, têm em comum a ilegalidade da posse da terra, a precariedade das construções, a falta de infra-estrutura urbana, e a segregação em relação à cidade formal.

O IBGE (2000)

Conceitua o setor aglomerado subnormal (favela e seus assemelhados) como:

“Conjunto constituído por no mínimo 50 domicílios, ocupando ou tendo ocupado, até período recente, terrenos de propriedade alheia (pública ou particular) dispostos, em geral, de forma desordenada e densa e carentes, em sua maioria, de serviços públicos essenciais. O que caracteriza um aglomerado subnormal é a ocupação desordenada e que, quando da sua implantação, não houvesse posse da terra ou título de propriedade.”

BUENO, LAURA (2000: 17)

Define as favelas como “aglomerados urbanos em áreas públicas ou privadas, ocupadas por não-proprietários, sobre as quais os moradores edificam casas à margem dos códigos legais de parcelamento e edificação”.

UN-HABITAT

As favelas são “assentamentos que carecem de direitos de propriedade, e constituem aglomerações de moradias de uma qualidade abaixo da média. Sofrem carências de infra-estrutura, serviços urbanos e equipamentos sociais e/ou estão situadas em áreas geologicamente inadequadas ou ambientalmente sensíveis”.

Habi SP:

Favelas: todos os assentamentos precários de áreas públicas ou particulares de terceiros, cuja ocupação foi feita à margem da legislação urbanística e edilícia. São ocupações predominantemente desordenadas, com precariedade de infra-estrutura, com maior opção pela autoconstrução das moradias que presentam diferentes graus de precariedade. A população residente caracteriza-se por famílias de baixa renda e socialmente vulneráveis.

Núcleo urbanizado: "categoria" de favela com 100% de infra-estrutura instalada, mas ainda sem regularização fundiária.

Loteamentos irregulares: todos os assentamentos precários onde se caracteriza a existência de um agente promotor e/ou comercializador, cuja tipologia e morfologia do parcelamento do solo estejam voltadas ao uso unifamiliar e multifamiliar de pequeno porte, que tenham sido implantados e ocupados sem prévia aprovação pelos órgãos públicos responsáveis ou, quando aprovados ou em processo de aprovação, implantados em desacordo com a legislação ou com o projeto aprovado.

Definição de 'favela' na Índia:

“um agrupamento dentro de uma área urbana, sem água potável e instalações sanitárias”.

‘Favela’ tem sido definido pelo Improvement and Clearence Act 1956 in India, como áreas aonde os edifícios:

São imprópria para a habitação e sofrem condições de depredação, superlotação, ausência de concepção na construção, ruas estreitas, falta de ventilação, luz e instalações sanitárias e qualquer combinação desses fatores que são prejudiciais à segurança, saúde e moral.

No Censo da Índia de 2001, adotou a definição de ‘favela’ como uma área mínima de 700 m2 ocupada por uma população de 300 pessoas ou cerca de 60-70 famílias vivendo unidades mal construído , insalubre, ausência de saneamento básico e sem acesso à água potável.

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segunda-feira, 9 de março de 2009

|01| - Os muitos 'Slums'


Slum - ‘a street, alley, court, situated in a crowded district of a town or city and inhabited by people of a low class or by the very poor; a number of these streets or courts forming a thickly populated neighbourhood or district where the houses and the conditions of life are of a squalid and wretched character… a foul back street of a city, especially one filled with a poor, dirty, degraded and often vicious population; any low neighbourhood or dark retreat – usually in the plural, as Westminster slums are haunts for thieves.’
Oxford English Dictionary

Desde as primeiras aparições em Londres, por volta de 1820, o termo “slum” era popularmente usado para identificar não apenas lugar insalubre e subumano, mas também refúgio de marginais e drogados. Lugar apropriado para surgirem epidemias que devastam as áreas urbanas. Retomando a leitura da época, “um lugar à parte de todos que são decentes e saudáveis.”

Por volta de 1880, durante o Movimento da Reforma Habitacional na Inglaterra, a palavra “slum” - até então popular – passa a identificar nos planos de revitalizações as habitações subumanas. O termo “slum” torna-se um anglicismo no Mundo.

No Século 20, a palavra torna-se praticamente obsoleta no contexto, requerendo mais precisão e rigorosidades nos termos, tal como cortiços, “tenement district”, guetos, bairros deteriorizados. Ao mesmo tempo, movimentos sociais criam eufemismos e termos alternativos - comunidades, “nagares” e bairros - para qualificar e mudar o estigma do “slum”.
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domingo, 8 de março de 2009

|00| - o LEMA do TEMA


“Quase 1 bilhão de pessoas, ou 32% da população urbana, vive em favelas, a maioria desta em países em desenvolvimento. Mais que isso, o local da pobreza global está se movendo para as cidades, o processo agora conhecido como ‘urbanização da pobreza’. Sem uma ação concreta das autoridades municipais, dos governos nacionais, dos atores da sociedade civil e da comunidade internacional, o número de favelados aumentará nos países em desenvolvimento. E caso não seja tomadas medidas sérias, o número de favelados aumentará para 2 bilhões nos próximos 30 anos.”

Kofi A Annan - Challenge of Slums (2003)



“É preciso explicar porque o mundo de hoje, que é horrível, é apenas um momento do longo desenvolvimento histórico e que a esperança sempre foi uma das forças dominantes das revoluções e das insurreições e eu ainda sinto a esperança como minha concepção de futuro.”


Jean Paul Satre, 1963, Prefácio de “Os condenados da Terra”, de Frantz Fanon

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sábado, 7 de março de 2009

|07| - Bibliografia

BIBLIOGRAFIA


UN-Habitat, The Challenge of Slums. Global Report on Human Settlements 2003.

Mike Davis, Planeta Favela. São Paulo: Boi Tempo, 2006.

Maria Ruth Sampaio, Heliópolis, O Percurso de uma invasão. São Paulo, 1991
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Kalpana Sharma, Rediscovering Dharavi. Stories from Asia’s Largest Slum. New Delhi Penguin
Books India, 2000.



Robert Neuwirth, Shadow Cities. A Billion Squatters, A New Urban World. New York:
Routledge, 2005.

UN-Habitat, Housing Finance Mechanisms in India. Nairobi 2008

UN-Habitat, Housing for All: The Challenges of Affordability, Accessibility and Sustainability. Nairobi 2008

UN-Habitat – Neelima Risbud, The case of Mumbai, India

João Sette Whitaker Ferreira, A cidade para poucos:breve história da propriedade urbana no Brasil. Bauru, Agosto de 2005

Laura Machado Mello Bueno, Projeto e Favela: Metodologia para projetos de Urbanização. São Paulo, Setembro de 2000.

Rosana Denaldi, Políticas de Urbanização de Favelas: evolução e impasses. São Paulo de 2003.

Cid Blanco Jr., As transformações nas políticas habitacionais brasileiras nos anos 1990: o caso do Programa Integrado de Inclusão Social da Prefeitura de Santo André. São Carlos de 2006.

National Geographic - Mark Jacobson, Mumbai’s Shadow City. May 2007


Urban Age India, Integrated City Making – Governance, planning and transport – Detailed Report. London 2008

Urban Age, Interview with Charles Correa, 7 may 2008

Urban Age – Mumbai, Data base. Mumbai 2008

Sheela Patel (SPARC) and Jockin Arputham, Plans for Dharavi: Negotiating a reconciliation between a state-driven market redevelopment and residents’aspiration, 2008

O Estado de São Paulo, Megacidades - grandes reportagens. São Paulo, Agosto de 2008

Reid Cooper, Questions and Possibilities for the redevelopment of Dharavi

Foucault M., Of the Other Spaces – Heterotopia. 1967


FILMES


Salaam Bombay (dir. Mira Nair, 1988)
Megacities – Mumbai ( National Geographic)
Megacities – São Paulo ( National Geographic)
Slum Dog Millionaire (2008)

DWGs

Entire Dharavi - Slum Rehabilitation Authority Mumbai.


FOTOS

Thiago Canhos Montmorency Silva
Charlotte Wensveen
Alejandra Figueroa Zubieta
Gildivan Félix
Grupo - Urban body - TUDelft

INTERNET

Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos FAU-USP
http://www.usp.br/fau/depprojeto/labhab/

Secretaria de Habitação do Município de São Paulo - HABISP
http://www.habisp.inf.br/

National Geographic
http://ngm.nationalgeographic.com/2007/05/dharavi-mumbai-slum/jacobson-text


Urban Body - TUDelft
http://www.urbanbody.org/


Urban Body - Mumbai
http://urbanbodymumbai.blogspot.com/

Blog Dharavi, Mumbai
http://www.dharavi.org/

SPARC
http://www.sparcindia.org/

Slum Rehabilitation Authority
http://www.sra.gov.in/HTMLPages/NandE.htm

MMRDA - Mumbai Metropolitan Region Development Authority
http://www.mmrdamumbai.org/index.htm

The Municipal Corporation of Greater Mumbai
http://www.mcgm.gov.in/

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|00| - TEMA e OBJETIVOS

TEMA

Devido à atenção sobre a questão urbana que a FAU-USP me proporcionou e por ter vivenciado Dharavi por 1 mês, durante os estudos em TUDelft, uma série de questões foram geradas com respeito ao entendimento de um “sintoma” urbano que predomina nas cidades dos países em desenvolvimento: a favelização.

Este fenômeno é praticamente concomitante na história das cidades nos últimos 50 anos e se revela como fenômeno global. Entender como as cidades de Mumbai e São Paulo chegaram aos altos índices de sua população vivendo em favelas é um dos desafios dessa pesquisa.

Tanto Dharavi quanto Heliópolis são casos mais representativos da problemática nas respectivas cidades. O estudo de caso de ambas, se sensibilizará ao caminho que ambas comunidades percorreram e suas atuais perspectivas em suas cidades.

Em se tratando de um tema complexo e relativo, o panorama do trabalho pode ser contestado subitamente. A investigação não tem a intenção de afirmar e determinar verdades, mas sim compreender o nosso meio. Dessa forma, o desenvolvimento da compreensão do tema é indispensável nesse momento de conclusão acadêmica considerando, que a partir de então, tornarei-me-ei um profissional da cidade.


OBJETIVOS

1º. Assimilar, sob diferentes óticas, os conceitos de “favela”

2º. Investigar o processo global de favelização nos últimos 50 anos

3º. Entender o percurso e o desenvolvimento da favelização na megalópole São Paulo

4º. Compreender as causas do enorme aumento da favelização na megalópole de Mumbai na Índia

5º. Revelar em diferentes aspectos - Histórico, Urbano, Social e Cultural - divergências e congruências entre duas “comunidades” distantes quase 14.000 km uma da outra

6º. Sistematizar uma rede bibliográfica

O BLOG

[www.favelization.com] É uma ferramenta que coloca o trabalho final de graduação em domínio público para compartilhamento, interação e contestação. A linguagem dos textos é simples e sintética para dialogar com estudantes, professores universitários e o público não especializado.

TÍTULOS e INTERTÍTULOS (partes)

O desenvolvimento será dividido nas seguintes partes

|00| - Introdução
Tema e objetivos

|01| - Compreendendo a 'Favela'
A relatividade dos conceitos de Favela

|02| - Panorama Mundial
Compreender o forte crescimento das cidades dos países em desenvolvimento na contemporaneidade, a incapacidade de absorver o fluxo migratório rural-cidade, a industrialização de mão-de-obra barata, a negligência governamental e a natureza anti-urbana dos PAEs. Bem como, suas claras consequências: déficit habitacional, endividamento, aumento da topografia social, desemprego e violência

|03| - Panorama Brasil - São Paulo
O histórico brasileiro será estudado desde a Lei das Terras com o surgimento da propriedade fundiária, a cidade de São Paulo na economia cafeeira, a industrialização de mão-de-obra barata, migração rural-urbana, o agravamento social na décade de 80 e a favela que passa a tornar-se um problema social

|04| - Panorama Índia - Mumbai
Entender como o Monopólio Real Inglês e a Partilha da Índia e suas repercussões etno-religiosos arrastaram milhões para as favelas

|05| - Observando São Paulo e Mumbai
Confrontar os dados atuais das duas megalópoles

|06| - Revelando Heliópolis e Dharavi
Compreender a trajétória de ambas e suas perspectivas em suas cidades

|07| - Bibliografia
Publicar rede bibliográfica, com links, fontes, obras, autores e livros

|08| - Video Documentário

É o desfecho do trabalho que emitirá as reflexões finais do TFG sobre as comunidades de Heliópolis e Dharavi e a compreensão da atuação do Arquiteto no território das comunidades

Apresentará videos coletados durantes as visitas em campo:
• recortes de videos das comunidades de Heliópolis e Dharavi.
• compilação de depoimentos de estudantes, líderes comunitários e arquitetos

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sexta-feira, 6 de março de 2009

|00| - CARÁTER, TÍTULO e SUBTÍTULO

Trabalho Final de Graduação
Universidade de São Paulo Faculdade de Arquitetura e Urbanismo




Caráter:

Trabalho panorâmico com análise comparativa e dois estudos de caso



Título:

Revelando as comunidades de Heliópolis e Dharavi
Panorama sobre a favelização das megalópoles de São Paulo e Mumbai



Autor:
Thiago Canhos Montmorency Silva


Orientadora:
Profa. Dra. Helena Ayoub


São Paulo, 29 de Junho de 2009